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A saúde, ou, o equilíbrio sistêmico do ser, é uma busca feita por cada uma das pessoas, indistintamente, mesmo que nem sempre seus comportamentos sejam coerentes com essa vontade. Esse paradigma atua, involuntariamente, na mente, dentro da rotina casual. Agora, quando assolados por estados de doença, há um alarme que dispara e coloca boa parte de seus acometidos em posição de alerta. O humor declina, reflexo até mesmo da redução do funcionamento do corpo que padece. A ansiedade se intensifica, levando o sujeito a afastar-se do instante presente e partir para um futuro incerto e desconhecido, no sentido de querer, de qualquer jeito, saber o que lhe reserva. Mitos se concretizam com o passar das décadas e até dos séculos e rituais fortalecem o desespero ou as esperanças, ao ponto de não se mencionar o nome de algumas patologias ou até a sensação de se encontrar, ao menos, filosoficamente, mortos, por serem portadores de quadros ditos malignos.

Peregrinações passam a participar da vida das pessoas. Consultas com diversos especialistas, nas mais diferentes áreas. Tratamentos, remédios e procedimentos. Instantes de esperança e muitos momentos de receio, inseguranças. A credibilidade na ciência exacerba-se e uma luz gigantesca brilha aos olhos daqueles que se sentem em meio à tormenta. Em outras horas, a avalanche do descrédito, a dúvida e até o desespero pelo eventual e suposto risco de morte. Sugestões farmacológicas para conter as emoções são prescritas, antidepressivos e ansiolíticos entram no dia a dia de muitos doentes, afinal, o equilíbrio afetivo auxilia em muito. A atuação de psicólogos é indicada a fim de equilibrar as relações entre a razão e a emoção, o físico e o mental. Mas o sentido da vida, o que nos origina e ao que nos destinamos, formalizam as indagações mais pertinentes da humanidade. Afinal, a dor dói e não saber o que nos acontecerá, atormenta.

Aos religiosos ou espiritualistas, potencializa-se a fé. Aos descrentes, evoca-se um tipo de renúncia ao orgulho e a presunção, dando lugar a, talvez, um último fio de esperança, como o milagre da cura. Clama-se, então, em oração por alguma coisa que transcenda a boa vontade e a competência humana. Frequentam-se igrejas, templos ou casas espirituais. Aproximam-se dos procedimentos da chamada medicina espiritual. De certa forma, pode-se alcançar um estágio em que mente, corpo e espírito percam a homeostase e caiam ladeira abaixo à doença.

Mente, Corpo e Espírito: Onde Está a Cura?

“A Riqueza de Espírito no Estado de Doença

Considerando como a doença é comum, como é tremenda a mudança espiritual que traz, como é espantoso quando as luzes da saúde se apagam, as regiões por descobrir que se revelam, que extensões desoladas e desertos da alma uma ligeira gripe nos faz ver, que precipícios e relvados pontilhados de flores brilhantes uma pequena subida de temperatura expõe, que antigos e rijos carvalhos são desenraizados em nós pela acção da doença, como nos afundamos no poço da morte e sentimos as águas da aniquilação fecharem-se acima da cabeça e acordamos julgando estar na presença de anjos e harpas quando tiramos um dente, vimos à superfície na cadeira do dentista e confundimos o seu «bocheche… bocheche» com saudação da divindade debruçada no chão do céu para nos dar as boas-vindas – quando pensamos nisto, como tantas vezes somos forçados a pensar, torna-se realmente estranho que a doença não tenha arranjado um lugar, juntamente com o amor, as batalhas e o ciúme, por entre os principais temas da literatura.”

Virginia Woolf, in “Acerca de Estar Doente”   –  http://www.citador.pt/textos/a-riqueza-de-espirito-no-estado-de-doenca-virginia-woolf

O começo dessa discussão vem das avessas: onde se localiza a doença? A doença, ou a dor, latinamente falando, deriva do mal estar, do desconforto e da incapacidade de ajuste do indivíduo ao contexto em que se insere. Logo, corpo, mente e espírito, simultânea e indivisivelmente, participam. A usina geradora para essa situação está nas escolhas, já que não existem problemas, mas, sim, opções. Fisicamente, uma simples relação de causa e efeito, dentro dos pressupostos mecânicos, carregando, qualitativamente, um arsenal energético mais potente que a própria bomba nuclear, ou, quantum de energia. Assim, principia-se que, a cura, anteriormente a ser estabelecida, necessita, obrigatoriamente, estar definida na alma da pessoa, com uma ressalva vital: não basta querer.

Enquanto a saúde não passar de um mero estado de conveniência, ou seja, precisa-se arrancar a doença, para uma condição efetiva que se faça sentir, continua-se, permanentemente, adoentado, com sinais de melhora ao longo da curta evolução. A saúde é alicerçada pela premissa da oportunidade, jamais pela ameaça. Não se adoece, adota-se outra característica para estar, cuja finalidade é nobre, evolutiva, justamente pelo fato de se processar um contexto vibracional a impulsionar o sujeito da doença para um estágio melhor. Por isso, a um devir em saborear o intervalo de caos que conduz à prosperidade. De acordo com Barbara Ann Brennan in Mãos de Luz, “Toda doença é uma mensagem direta dirigida a você, dizendo-lhe que não tem amado quem você é e nem se tratado com carinho, a fim de ser quem você é”. É a expressão simbólica do mal produzido nesse agregado.

Assim, não se eterniza, mas, tão somente, limita-se. Anula-se a premissa da construção da história encaratória, fazendo-se prisioneiro, recluso entre pontos finais que dão rescindem a oração: aquela que quer comunicar como a que religa a Deus.

A cura está na doença que construímos.

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O desenvolvimento da ciência possibilitou uma ampla compreensão sobre a descrição dos processos de saúde e doença. Quantificou-se, anatômica e fisiologicamente, a dinâmica funcional de cada órgão, bem como para cada sistema e com esses pressupostos, a área da saúde alcançou não só entendimento, como também, consciência a cerca dos mecanismos orgânicos. A longevidade foi ampliada e a qualidade de vida das pessoas galgou degraus significativos nas últimas décadas. O progresso nos fez entender, de fato, como o veículo físico de comporta, entretanto, o condutor desse, ainda nem tanto.

O ser humano é paradoxal: não aceita a doença, muito menos a morte, contudo, executa, diariamente, comportamentos suicidas. Há uma contínua e maciça estimulação, desde o nascimento, para a realização de condutas equivocadas e nocivas para nosso bem estar. Nossa alimentação é uma perpetuação de erros que, como consequência, geram danos à integridade de todos os nossos órgãos. Bebemos igualmente mal, ao ponto de deixarmos de lado a água e substituirmos por vários outros danosos. Licitamente, somos educados a manter e modificar esses erros com drogas que se tornam muletas e em seguida vícios para um tipo diferente e supostamente melhor de vida. Adotamos posturas de estagnação, sedentários do corpo, mas, hiperativos da mente.

Essa descrição, pertence ao senso comum, ou seja, é um padrão de comportamento, adotado pela maioria estatística da sociedade. Formamos, através da delegação cultural, ideias e conceitos, pré-definidos e, repassados por herança às novas gerações. Isso leva a formação e a educação de crenças, ou seja, aquilo que se impõe como sendo da ordem do possível ou do impossível. A crença é todo aquilo que se representa na mente de cada indivíduo, é única e reflete, fidedignamente, a realidade interna de cada pessoa. Os estímulos são percebidos (sensoperceção), em seguida pensados, estabelecendo uma conexão coerente entre os diferentes conteúdos. Por fim, provoca-se uma reação, ou, o comportamento.

Para a aquisição de estabilidade e a manutenção da preservação da integridade física e emocional, a repetição leva ao aprendizado, ou, a fixação e assim ao estabelecimento das crenças, ou mitos. Polarizamos esses segmentos e oscilamos entre seus opostos. Quanto menor a consciência, maior é a confusão diante da necessidade de escolha que deriva da análise observada. As etnias possuem valores e princípios próprios e repassam aos seus grupos verdades e prerrogativas que nem sempre são percebidas em outras origens.

Nos processos de saúde e doença, temos duas crenças essenciais: a primeira é aquela que afirma que a reação não saudável, ou doença, acontecerá sempre com os outros, nunca consigo ou com os seus. A complementar a essa surge quando a doença chega. Algo acontecerá e fará com que a pessoa saia da zona de risco. Isso fomenta a crença sobre tudo aquilo que podemos ingerir, colocar em nosso corpo, e, mesmo assim, nada nos acontecer. Interessante é que, para todo e qualquer rito, ou crença, obrigatoriamente, adota-se e se executa um rito, ou comportamento. Na prática, crendo que não se faz mal, faz-se!

“A Crença é Baseada no Desejo: A influência dos nossos desejos sobre as nossas crenças é do conhecimento e da observação de todos, mas a natureza dessa influência é, em geral, muito mal interpretada. É costume supor que a massa das nossas crenças provém de alguma base racional e que o desejo é apenas uma força perturbadora ocasional. Exactamente o oposto se aproximaria mais da verdade: a grande massa de crenças pela qual somos amparados na nossa vida diária é apenas projecção do desejo, corrigida aqui e ali, em pontos isolados, pelo rude choque dos factos.”

Bertrand Russell, in ‘Ensaios Cépticos: Sonhos e Factos’

O desejo não é sinônimo de satisfação, ou, plenitude. Muitas vezes, é uma mera, inconsequente e sem sentido, busca pelo prazer. O desejo sob a ordem do prazer adoece. A satisfação nos leva à plenitude, à homeostase … a tão desejada felicidade.

B

O homem, pertencente ao reino animal e incluso no ecossistema, difere de todos os demais, assim como os outros seres vivos de si distingue-se. A vida assemelha-se, porém, jamais se iguala. Esse pressuposto permite com que ocorra crescimento, pois a diversidade agrega, aliás, o crescimento só se dá pela sobreposição dessas desigualdades. Tudo aquilo que se equipara não ascende, tão somente, mantém estagnada.

O funcionamento mental aproxima-se: cabe ao homem sentir e derivado desse estado, produzir reações emocionais diante dos fatos vivenciados. Tem a capacidade d resolver problemas, encaminhando as situações em desdobramentos eficazes. Para isso, sua habilidade em conectar conteúdos diferenciados de pensamentos, produzindo novos elementos, acontece. Além disso, faz uso da atenção, orienta-se, tem vontade e por ai vai construindo sua caminhada.

Seria absurda a ideia de conceber a qualquer outra criatura viva, gritantes diferenças em relação ao funcionamento mental. Os seres vivos, animais em questão, são inteligentes, pensam, sentem e estabelecem conexões ricas e imprescindíveis com toda a cadeia relacional formada no meio ambiente. Por que então, seria o homem o único responsável pela aniquilação da vida de seus pares, outros seres humanos, assim como de toda e qualquer espécie de vida em nosso planeta? Seria pela tão destacada capacidade cognitiva que alcançou? O consequente resultado de sua maturação neurológica?

É certo que o contexto que acompanha o desenvolvimento antropológico da humanidade, forma diferentes alicerces que estruturam essa suposta supremacia do homem sobre o restante da vida. Pinçando uma das várias capacidades adquiridas, o pensamento, como insumo, pode ter se tornado o elemento nocivo que nos desviou e fixou à ordem da onipotência, onipresença e onisciência frente à realidade de igualdade que impera na natureza. Especificamente, foi o pensamento abstrato que nos desfocou.

O pensamento permite gerar ideias, formar juízos e levar à cognição que forma a compreensão. Já a abstração é discutida amplamente por vários pensadores e pesquisadores, conforme o dissertado no fragmento abaixo:

“Para o filósofo George Berkeley, ideias abstratas são não entidades, ou seja, não constituem ideias que na realidade temos e sim descrições incoerentes de ideias que imaginamos ter. Assim, para ele, as ideias não possuem existência própria, necessitando, sempre, da presença de alguém que as perceba. Uma opinião oposta aos clássicos pensamentos de Platão, para quem as ideias (abstratas ou não) existem de fato, independentemente de haver ou não uma mente humana para percebê-las, uma vez  que se encontram fora de nós, no universo, concebidas por um Ser Superior.

Allan Randall, ao concordar, parcialmente, com o filósofo grego, diz que, uma vez que a ideia abstrata possui uma existência própria, devemos imaginá-la como uma ideia de alguma coisa específica. E explica: se, por exemplo, “abstraímos”, ou retiramos, uma maçã do mundo real em que ela se situa, passamos a ficar, apenas, com uma ideia muito particular- a da palavra ‘maçã’. A ideia, em si, embora obtida através de uma abstração, não é inerentemente abstrata. Trata-se, na verdade, de uma ideia particular de algo concreto. Neste caso, uma espécie de imagem mental de uma maçã com cor, forma e tamanho definidos.”

FONTE: http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/pensamento.html

Conquistamos o poder de criar, tudo àquilo que não é real e concreto. Fomos além, dando vida própria a esse outro tipo de vida. Defrontamos a virtualidade com o concretismo. Isso influenciou em nossa percepção, no pensamento e nas nossas reações. Ao ajuizarmos os elementos, deixamos evidências e provas, muitas vezes, de lado. Viciamo-nos em julgar! Julgamos, subjugamos e supra julgamos a própria individualidade, o próximo e a vida num todo. Alterações patológicas do juízo, dentro da semiologia da psicopatologia, reportam-nos à sintomatologia delirante, ou seja, a característica que altera os elementos da realidade. Já as do pensamento, descrevemos as alucinações, ou, criações não pertencentes ao real. Infelizmente, pela compulsão de uso e a sede de poder, tornamo-nos deuses.

Ambivalentes, sem critérios, ego centrados e prepotentes. Absolutamente opostos às concepções do Deus criado pelo próprio homem. Seu desejo criou um tipo de salvação, mas sua atitude, desconstrói a própria qualidade de vida. Por isso castigamos, torturamos e assassinamos a nós mesmos, todos os dias e, perversamente, anulamos aos outros animais, a flora e a todo ecossistema, em absoluto. Um comportamento insano frente a uma afetividade desagregada.

Diante daquilo que o homem se diferencia, é preciso ele ter a humildade para reaprender.

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A pergunta pode gerar estranheza, porém, nem sempre os fatos que norteiam a chegada do espírito do Cristo a Terra, revela-se, pois acaba sendo encoberto pelos ornamentos que disfarçam o sentido simbólico de seu nascimento. Roma, país dominante, passava a ser governada por Caio Júlio. Assumiu o poder após assassinar o pai adotivo Júlio César. Em meio a essa carnificina, proliferada, igualmente, nos campos de batalha, o povo Judeu anunciava a chegada do Messias. Anteriormente, o povo hebreu, igualmente, afirmava a vinda do Salvador.

O receio dos governantes era que o Messias tiraria a submissão do povo dominado pelos romanos. Assim, ao ser anunciada a chegada do prometido, o Imperador dá a ordem de perseguição e morte a essa ameaça que se construía. Maria e José partem de Nazaré para Belém a fim de refugiarem-se, porém, já entrando em trabalho de parto pela distância, acaba dando a luz a Jesus, o homem, numa manjedoura. Ali recebe as bênçãos dos reis Magos e a luta pela sobrevivência continua.

Dados históricos revelam que a família alcançou o espaço territorial do Cairo, no Egito, com a finalidade de sobreviverem a fúria estabelecida contra o enviado.

“1 Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade.Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida.”

LUCAS

Jesus nasceu condenado a morte e assim atravessou sua encarnação fadado a severas provas e expiações. O primeiro de seus legados foi a instrução educativa sobre a perseverança e a contundente luta para o alcance daquilo que se faz necessário para o aprimoramento dos homens e da vida. Sua chegada nos ensinou sobre a missão de cada um de nós, revelando sua presença ao nosso lado, a parceria … a religação a Deus, o Pai.

Resgatar essa história é reavivar o verdadeiro espírito do natal. É falar da missão de Jesus e disseminar um de tantos ensinamentos. O natal não pode ser neve e bolinhas, muito menos presentes ou culto de velório a uma ceia que degrada o presépio com a cruel morte dos bichinhos que participaram da vinda do Cristo.

Reacender a vida de Jesus é uma necessidade diária, principalmente, na data alusiva ao simbolismo de seu aniversário. Jesus vai muito além, muito mesmo, daquilo que se propaga.

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O sexo ainda se coloca na sociedade como tabu. Esse comportamento vai além, pois pauta tantos desencontros entre as parcerias que se estabelecem, assim como ausências com o próprio desejo de tantos indivíduos.

Sexo não se define. Restringir sua ação a um número limitado de palavras anula sua magnitude natural. Há uma amplitude inalcançável em seu contexto. Aliás, inimaginável. Coube à humanidade bani-la, anulá-la, deformá-la, segundo a compulsão de uso desenfreada. A sexualidade, basicamente, permite o encontro do indivíduo consigo. Afinal, o corpo físico é a morada temporária da alma. Um lar estruturado e adaptado a veicular o espírito em sua caminhada.

A necessidade do alto conhecimento, obrigatoriamente, conduz-nos à integração com essa identidade física. Devido ao processo evolutivo, lapidar instintos, aperfeiçoar afetos e ai passar a novas escolhas, mais saudáveis, emergem da intimidade criada em si e posterior oferta ao outro. Seguindo esse princípio, geram-se valores concretos, assim como princípios quem mantêm essa proposta. Ou seja, o eu torna-se caro e a adoção dessa consciência à almejada cara metade dissertada por Platão.

Edifica-se, então, o pressuposto da empatia. É só assim que se consegue projetar ao outro uma mesma forma de tratamento, assim, singular, única, enaltecendo respeito. Duas almas valorizadas, alcançando o contato natural, essencial e sublime. Um mecanismo de descoberta, recíproco e contínuo. A abertura para a eclosão do amor através da transparência do prazer, mas, acima de tudo, o alcance da satisfação em detrimento ao mero prazer. Encontro de seres como ocorresse à aproximação de verdadeiros templários: almas habitando corpos.

O profano e o divino se anulam e, simples, porém, fantasticamente, cresce-se, mutuamente, dando origem à célula matriz e a partir dai todo um complexo de consequências, como ramos que se desdobram de caules frondosos de uma árvore: a felicidade que se dá pela somatória de incompletudes diferentes.

Quando isso não se dá, uma tríade de alternativas se forma para orientar as escolhas. Ou anula-se a sexualidade, tornando-a crime ou pecado, um tipo de segregação para uma condição tida como inalcançável. Ou, profana-se, acreditando poder esgotar todas as possibilidades. Ou, neutraliza-se, fazendo do sexo algo prático e, filosoficamente, indiferente. Ou seja, recalca-se aquilo que instintamente, necessitamos vivenciar, ou, animalizamos quando nos afastamos da verdadeira caminhada que nos leva ao amor. As dinâmicas que predominam no comportamento sexual humano.

O problema não está no sexo. Está naquilo que se faz com esse encontro de promoção de amor entre as almas.

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O problema não está no sexo. Está naquilo que se faz com esse encontro de promoção de amor entre as almas.

É difícil identificar alguém que desconheça os malefícios provocados pelas drogas. Social e, empiricamente, afirma-se, há décadas, o repúdio das pessoas e das famílias frente à existência das drogas junto à realidade diária de qualquer um de seus familiares. É sabido do alto risco de morte, seja ela física, ou filosófica, daqueles que interagem e arriscam-se em seu consumo. Concepções concretas dentro de fatos verdadeiramente nocivos, porém, rasos.

Fisicamente, escravizamo-nos, igualmente, às drogas lícitas. Delegamos a responsabilidade sobre nossa saúde às bolinhas mágicas. Dormimos graças a elas, assim como deixamos de comer e nos afastamos das tristezas naturais e das ansiedades desvairadas que alucinam a nossa realidade. Construímos o suposto prazer a partir de laudos banquetes que assassinam seres vivos, satisfazendo a voracidade, entupindo nossas veias e artérias e nos conduzindo para o mesmo corredor mortal da ignorância.

Viciamo-nos em consumir. Dilaceramos o patrimônio natural, corrompendo a integridade do ambiente no qual fazemos morada. Levamos as árvores à extinção, os rios à sujeira, as plantas à inexistência e os animais transformados em bolsas, roupas ou qualquer outro tipo de utensílio das conquistas tecnológicas. Desnudamos o cenário onde atuamos com nosso maior e principal personagem: o eu que sobrevive.

Não satisfeitos com a dependência material, mergulhamos, de maneira, socialmente aceita, em infinitos vícios comportamentais. Optamos, veementemente, pela postura egoísta, primando pela conveniência e o interesse próprio. Elevamos, assim, a ética, a uma mera condição vista, e não praticada. O espírito fraterno, praticamente abandonado, é resgatado, tão somente, quando vitimiza-se frente a qualquer situação. Envaidecemo-nos, reluzentes, expostos nas vitrinas do senso comum que, supostamente, acolhe-nos e nos aceita. Deformamos a realidade, construímos as ilusões e definhamos em desilusões.

A droga que adoece e mata, não está só no pó endiabrado e cheirado pelo canto das ruas. Aliás, a aniquilação humana está centralizada em suas atitudes homicidas, projetadas contra qualquer espécie viva à sua volta e, suicidas, atos que voltados contra si mesmo. O holocausto praticado por todas as drogas que nos viciamos.

A resolução para a interação do homem com as drogas é social, independentemente de ele fumar a pedra, atirar a pedra ou construir castelinhos nas nuvens para morar. Resgatar-se como essência, reconstruindo valores e princípios. Além disso, prioritariamente, está a sobreposição da consciência sobre o saber. Está comprovado que sabemos muito, porém, com pouquíssima consciência sobre nossa identidade e o respeito que estabelece a fronteira com todo o ecossistema.

Não podemos mais permanecer na miserabilidade de crer, apenas, que as drogas se concentram na cocaína ou nas substâncias sintéticas. Alcançamos o requinte de contaminar os vários sistemas que interagimos. Superamo-nos ao conceder o direito de esquecermos a nós mesmos.

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A cirurgia espiritual é alicerçada em três eixos essenciais, cuja interação, aponta para o desenvolvimento da problemática trazida pelo consulente: a equipe espiritual que atua sobre o encarnado, o merecimento do atendido e o preparo do Médium para atuar como intermediador entre a matéria e a as demais estruturas sutis. Toda a condução responderá à colheita, consequente, da semeadura da pessoa vitimada pela mazela. Ou seja, a cura pode ser definida como uma resultante relativa. O que se promove, em verdade, é o progresso, muitas vezes ditado pela manifestação da dor e não apenas por sua anulação.

Alguns pensadores como Santo Agostinho e Marx, afirmaram que o homem é responsável pelo seu processo. Ideia consolidada pela filosofia japonesa ligada à qualidade total. Logo, não só a Filosofia como as ciências humanas garantem esse pressuposto, assim como a própria doutrina dos espíritos para os mecanismos da reencarnação. Reitero essa premissa para desmistificar alguns paradigmas atrelados à ordem equivocada dos milagres atribuídos à espiritualidade. Em verdade, o foco encontra-se e, encontrar-se-á, sempre, naqueles que carregam suas vicissitudes.

Interessante, mas a escolha pelo atendimento espiritual, normalmente, vem depois de uma longa peregrinação médica. A percepção comum é a de que há a espera para um milagre. Um anseio para que se encontre um sujeito suposto saber  (FREUD, 1900) na figura do Médium ou da entidade que realiza o atendimento, para que sejam eliminada todas as dores ou doenças. A fé está intrínseca na crença do sujeito que fala e faz pelo doente e não na própria credibilidade em Deus. É claro que não é uma circunstância que pertença a todos, apenas a uma maioria.

A dúvida, obviamente, não explícita, sempre se manifesta. Comparações com os procedimentos ligados aos profissionais da Terra com ao os espíritos, chocam-se, ora ou outra. Não é incomum saírem, parte dos atendidos, não seguindo as devidas orientações, mas, ao mesmo tempo, verbalizando que a entidade X vai resolver as dificuldades que o acompanham.

O sentido da cura está na compreensão da doença. Passa-se pelo princípio da transformação. Aliás, da transmutação, já que aquilo que se transforma está fora de mim e, tudo o que transmuta, pertence a minha realidade interna. Um dos degraus a ser alcançado é o do resgate da fé: crer na ação absoluta da espiritualidade e, sem exceção, na crença sobre a possibilidade de uma condição diferenciada como pessoa, como alma encarnada.

Crer na razão sobre aquilo que passa. Na segurança pelos caminhos que o mundo espiritual passa a conduzi-lo e na somatória de forças que deve existir entre o conhecimento terreno e o etérico. É possibilitar a troca do milagre ilusionista pelo merecimento da ação adotada para o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia.

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Paradoxo: nosso planeta tem 2,1 bilhões de pessoas obesas (05/2014). Paralelamente, quase um bilhão de pessoas passam fome (09/2014).

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/05/mundo-tem-21-bilhoes-de-pessoas-obesas-ou-com-sobrepeso-diz-estudo.html

http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2014-09/fao-805-milhoes-de-pessoas-passam-fome-no-mundo

Inicialmente, pode-se concluir, qualitativamente, que em torno de um bilhão de pessoas distanciam-se do princípio de dignidade, natural, para qualquer ser vivo. É inconcebível reconhecer que humanos passem e morram de fome. Analisando bem, isso faz com que toda e qualquer pessoa se distancie dessa dignidade. Somos todos responsáveis por essa atrocidade, afinal, quantos famintos cruzam nossas vidas e ignoramos, ou, quanto o desperdício toma conta da nossa rotina enquanto muitos não dão conta de sobreviverem com tão pouco.

Parte significativa das populações e, quase que a maioria absoluta dos governos, ignora e negligencia a miserabilidade e a carência de dezenas de nações que conservam cadáveres moribundos, sem perspectivas e ausentes de forças para alcançarem qualquer tipo de situação diferenciada. Há um eixo central desse perfil no continente africano, parte da Ásia, Oriente Médio, contudo, esse cenário atroz está nas ruas, bairros e periferias da casa de cada um de nós. O trato dispensado é idêntico, uma certa possessão do inconsciente coletivo de Pilatos que lava as mãos, vira as costas e faz de conta que o problema não pertence a ninguém.

Na sequência dessa análise, temos do outro lado da mesa, a avidez da gula, blindada por uma vitrina espessa para que os famintos não invadam e façam sucumbir seus estoques. O descaso com essa essencial riqueza, chamada alimento, é refletida na ascendente aparição de diagnósticos de obesidade. Um princípio cultural também romano, onde Nero promovia suas orgias digestivas.

O descaso é do homem para com ele mesmo. O muito que poucos têm constrói o descaso com, especificamente, essa carência em comer que tantos dos nossos semelhantes passam. Um certo tipo de atitude homicida, já que a fome leva à desnutrição e, consequentemente, à morte. Além disso, há, igualmente, a desvalorização como todo o ecossistema, pois a parte nutrida dessa tida civilização empapuçasse com os corpos de outas criaturas vivas, expostas nas vitrinas nas lojas. Ou seja, quem come, come errado e dentro do pressuposto da morte de alguém, sobreposta ao prazer insano de quem faz uso do garfo.

Com esses fatos, principia-se que ainda somos seres desnutridos de almas. É preciso parar com os laudos discursos, falácias em verdade, e passarmos à ação para que possamos dar vida à sobrevida de tantos humanos que meramente existem. Basta de hipocrisia, arrotando a necessidade paz e harmonia, quando provocamos sofrimentos daqueles que dão o real sentido da existência para cada espaço espalhado nesse planeta. A fome do nosso mundo está alicerçada na ausência de valores, princípios e de ética que nos faça, definitivamente, livres, fraternos entre cada um e, espontaneamente, caridosos, lutando um pelos outros.

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A liberdade dá a conotação de continuidade, levando a um estado de permanência, de vida. Em verdade, faz do indivíduo um ser livre, capacitado a arbitrar sobre suas escolhas. Universalmente, dentro dessa premissa, pontua-se a maior de todas as riquezas humanas: o livre arbítrio.

Já o termo condicional impõe um ponto que especifica a condição para o exercício dessa liberdade. Restringe sua amplitude e subtrai a totalidade, naturalmente impregnada. A qualificação em si, faz-nos questionar a real existência dessas tão ambicionada, ou, ilusória liberdade.

A escolha está situada em um ponto, aleatório, situado entre dois ou mais pontos. Suas características podem opor-se, assemelhar-se, distinguindo-se por um detalhe ou outro. Pode haver oposições, enfrentamentos e até afrontamentos. As diferenças, em suma, marcam a existência dessa necessidade para a escolha. Essa é a condição.

Não se ter a devida consciência sobre o que se percebe, isentando os fatos do devido conhecimento, amplia a intensidade das condições, entretanto, viver esse ignorar, não anula o caráter optativo de cada pessoa sobre aquilo que se vive. Não adianta afirmar que é assim, que não se sabe ou que alternativas são inexistentes. Racionalizações simplórias que apenas servem para proteger a nossa própria preguiça para o combate e a transformação que nos leva a uma posição diferente e, com certeza, mais eficaz.

Enfim, toda e qualquer condição estabelecida para o livre arbítrio, deriva unicamente da nossa liberdade de escolha. Não é uma condição imposta pelo externo, mas, tão somente, construída pelos nossos próprios mecanismos de defesa, pelo perfil egoísta e a imprescindível precisão de manutenção de nosso orgulho. A dificuldade em renunciar, torna-se a pior de todas as condições. A inabilidade para negar e impor limites agrega-se a essa dificuldade. A incapacidade para avaliar as evidências e montar um quebra cabeças, outra.

“A ideia de livre arbítrio, na minha opinião, tem o seu princípio na aplicação ao mundo moral da ideia primitiva e natural deliberdade física. Esta aplicação, esta analogia é inconsciente; e é também falsa. É, repito, um daqueles erros inconscientes que nós cometemos; um daqueles falsos raciocínios nos quais tantas vezes e tão naturalmente caímos. Schopenhauer mostrou que a primitiva noção de liberdade é a “ausência de obstáculos”, uma noção puramente física. E na nossa concepção humana de liberdade a noção persiste. Ninguém toma um idiota, ou louco por responsável. Porquê? Porque ele concebe uma coisa no cérebro como um obstáculo a um verdadeiro juízo. 
A ideia de liberdade é uma ideia puramente metafísica.

A ideia primária é a ideia de responsabilidade que é somente a aplicação da ideia de causa, pela referência de um efeito à sua Causa. “Uma pessoa bate-me; eu bato àquela em defesa.” A primeira atingiu a segunda e matou-a. Eu vi tudo. Essa pessoa é a Causa da morte da outra.” Tudo isto é inteiramente verdade. 
Assim se vê que a ideia de livre arbítrio não é de modo algum primitiva; essa responsabilidade, fundada numa legítima mas ignorante aplicação do princípio de Causalidade é a ideia realmente primitiva.
Ao princípio o homem não é consciente senão da liberdade física. Ao princípio não há um tal estado metafísico da mente. A ideia de liberdade apareceu pela razão, é metafísica e, portanto, sujeita a erro.
A opinião popular, pelo que vimos, põe o elemento real de liberdade moral no juízo, na consideração, no poder de percepção, para distinguir o bem do mal, para os discutir mentalmente. Mas esta afirmação é falsa. A concepção popular é esta: esse juízo é o que considera uma coisa, decidindo se ela é boa ou má. Na opinião popular é esta faculdade que nos diz que uma coisa é boa ou má; é, pensa-se, o elemento do bem em nós. O povo pensa que se eu noto que uma ação é má e não obstante eu a pratico, eu sou réu do mal.
A ideia de liberdade moral não é de modo nenhum primitiva, nem mesmo de hoje na mente popular, ou hipoteticamente, em qualquer mente culta que ignore inteiramente a questão. É uma ideia adquirida pela razão, uma ideia filosófica. Primitivamente não há nem senso moral de liberdade nem um senso de determinismo. É inútil pensar que um selvagem tenha um senso de liberdade moral.
O homem é um animal perfeito e o único senso primitivo neste caso é o senso de liberdade física. “Eu posso fazer o que quero.” Disto não há dúvida, evidentemente. Até agora eu não estou prisioneiro, nem paralítico, nem ligado por qualquer obstáculo físico, eu sou livre: posso fazer o que quero. “Mas posso eu querer o que quero e não querer nada mais?” Eis aqui a grande questão. Ora esta inconsciência primitiva, para que lado pende mais: para o livre arbítrio ou para o determinismo?”

Fernando Pessoa, in ‘Ideias Filosóficas’

http://www.citador.pt/textos/do-livre-arbitrio-fernando-pessoa

A única condição para exercer a liberdade é o próprio sujeito executor disso. Não existem problemas, existem escolhas.

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Receitas, sabor, nutrição e preservação da vida! Uma filosofia de vida que busca o resgate dos valores e dos princípios para a vida.

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