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Autora: Tânia Mara de Vargas[1]

Orientação: Clécio Carlos Gomes[2]

Este estudo tem por objetivo fazer uma revisão da literatura existente acerca do tema abordado. Busca-se evidenciar a configuração deste transtorno, suas características fisiológicas e psicológicas. Será apresentada sua configuração atual de seus critérios diagnósticos, hipóteses de sua etiologia e possibilidades de tratamento.

Em 2001 que se relatou pela primeira vez na literatura uma situação singular com ocorrência ate então observada somente em mulheres, caracterizada por respostas de ordem fisiológicas correspondentes a fase de excitação sexual. No entanto percebeu-se que determinada situação não era aliviada por um ou mais orgasmo e as sensações de excitação permaneciam por horas ou ate mesmo dias, embora esforços fossem dispensados na tentativa de suprimir os sintomas (LEIBLUM e NATHAN, 2001).

Não há um consenso na literatura no que se refere à etiologia do transtorno, no entanto corroboro com Craig 2006 que lista algumas hipóteses de fatores e riscos envolvidos no surgimento e manutenção do transtorno da excitação genital persistente (TEGP) que são: 1) alterações neurológicas; 2) alterações vasculares; 3) induzidas por medicações; 4) alterações psicológicas ou, ainda, uma combinação de todos ou de alguns fatores.

Alterações neurológicas foram evidenciadas em pacientes com sintomas de TEGP por meio de ressonância magnética genital, onde se observou hiperestesia do nervo pudendo (WALDINGER et al, 2009).  Isto é, um aumento de sensibilidade de um sentido ou órgão, nesse caso a região genital da mulher, uma vez que é esse nervo o responsável pelas transmissões nervosas. (GUYTON, 1988).

Em 2008 Thorne publica um artigo em que considerava a congestão pévica uma hipótese para o desencadeamento do transtorno da excitação genital persistente, uma vez que esta patologia ocasiona a dilatação da veia ovariana e o surgimento de varizes pélvicas levando a um ingurgitamento vaginal.

No que se refere ao uso de medicamentos, foi possível perceber que alguns potencializavam os sintomas. Observou-se que o uso de Trazodona® no tratamento de depressão aumenta o impulso sexual e posteriormente à excitação genital espontânea e indesejada. Tal comportamento é atribuído ao referido medicamento devido ao alto efeito vasodilatador que o mesmo provoca (BATTAGLIA e VENTUROLI, 2009). Verificou-se que o uso de Lamotrigina® uma droga antiepilética proporciona a excitação genital indesejada e não relacionada a quaisquer estímulos ou pensamentos sexuais.

Vale enfatizar que a idade destas mulheres acometidas do transtorno  varia de 29 a 62 anos, geralmente não possuem características clínicas ginecológicas similares, no entanto no aspecto psicológico se evidenciam sintomas obsessivos compulsivos, síndrome de burnout, episódios depressivos. No entanto, quando descompensado algum destes sintomas o nível de ansiedade se eleva. (GOLDMEIER e LEIBLUM, 2008).

Uma vez que a ansiedade aumenta a atividade do sistema nervoso autonômico por conseqüência leva a hiperatividade fisiológica (GUYTON, 1988). Devido a essa hiperatividade aumenta os estados emocionais negativos como medo e ansiedade. Esses fatores podem contribuir para manter e intensificar os sintomas do referido transtorno.

Com relação ao tratamento poucos estudos tem se apresentado ate então. Há relatos da indicação de eletroconvulsoterapia (ECT) na tentativa de obter alivio ou ate a supressão dos sintomas, no entanto houve discreta melhora destes (KORDA et al,2009). Enquanto que outro estudo desenvolvido por Waldinger et al, 2009 aponta a eficácia do Clonazepan® no tratamento do transtorno.

Diante do exposto pouco foi elucidado no que se refere à etiologia do transtorno. Penso que existe ainda nos dias atuais um desconhecimento por parte dos profissionais atuantes na área da saúde e na área da sexualidade humana. Percebe-se a necessidade de mais pesquisas serem realizadas a fim de suprir esta lacuna, bem como proporcionar a pessoas portadoras destra síndrome um conhecimento mais amplo e conseqüentemente uma melhor qualidade de vida.

REFERENCIAS

BATTAGLIA, C.  VENTUROLLI. Transtorno da excitação genital persistente e a trazodona. Morfometria e alterações vasculares do clitóris. Um estudo de caso. J. Sex Med. 6ª edição pg. 289-900. 2009.

CRAIG, HR. Persiste arousal syndrome (PSAS): possible etiologies e potential therapies. 2006. Disponivel em: http:// f1.grp.yahoofs.com Acesso em:30/01/13.

GOLDMEIER, D. LEIBLUM, S. Interções de fatores organicos e psicológicos no transtorno de excitação genital persistente em mulheres. Relatos de seis casos. Instituto J STD AIDS, 19ª edição, pg. 488-490. 2008.

GUYTON, A.C. Fisiologia Humana, 6ª edição, Ed. Guanabara e Koogan. Rio de Janeiro, RJ 1988.

Korda, J.B. Transtorno da excitação genital persistente (TEGP): Relato de caso de uma mulher com TEGP ao longo da vida onde a administração acidental de tartarato de vareniclina resultou em melhora sintomática. J. Sex Med 6ª edição, pg 1479- 1486 2009

LEIBLUM S.R. NATHAN, S.G. Sindrome de excitação sexual persistente: Um padrão recém descoberto de sexualidade feminina. J. Sex Marital Ther,27ª ed, pg. 365-380. 2001

THORNE, C. Síndrome de congestão pélvica e excitação genital persistente: Um relato de caso. J. Sex Med. 5 ed. Pg. 504-508. 2008

WALDINGER, M.D. et al. Transtorno de excitação genital persistente em  18 mulheres holandesas: Parte II. Sindrome de bexiga hiperativa e síndrome de pernas inquietas. J. Sex Med 6 ed. pg 2778-2787. 2009


[1] Psicóloga, Formada em Equoterapia pela Associação Brasileira de Equoterapia ANDE- Brasil e aluna do curso de Terapia Sexual.

[2] Psicólogo, especialista em Psicopatologia e Terapia Sexual. Professor Universitário e Psicólogo Clinico.Imagem

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